Divagações em Genética

Não sou biólogo nem geneticista e assistindo aos seminários não entendendo nada comecei a divagar no que era falado. Numa dessas divagações algumas coisas começaram a me vir à cabeça e fazer um sentido meio absurdo porém lógico.

Em todos os seminários algo em comum sobre genes era falado: que genes são pequenas instruções para codificar uma proteína específica e a junção de vários genes formam o DNA que é um conjunto mais completo de instruções que definem todas as proteínas que serão codificadas em um ser vivo.

O que me chamou antenção foi a definição de genes, como sou da área de computação, comecei a fazer um paralelo entre a genética e a computação. Um programa de computador nada mais é do que um conjunto de instruções que fazem o programa. Um programa que exige validação de usuário pode ter, por exemplo, uma função dentro dele específica para tal fim com o nome, de procedure valida_usuario. Mas o que seria desse trecho se não fosse toda a junção com outros trechos cada um com suas funções específicas para formar o todo? Seria absolutamente nada, não faria sentido algum. Dessa forma o que seria de um gene sozinho se ele não se juntasse a outro com outras funções para formar o todo? Também seria absolutamente nada, apenas um conjunto de instruções sem sentido. Pensando pelo lado de instruções que codificam proteínas e, consequentemente funções, programas de computador são idênticos aos genes sendo possível até pensar que poderíamos ser seres programados onde o código fonte são os genes e não um amontoado de instruções escritas em formato texto num editor de textos como na computação.

Uma outra compração que pode ser feita é do próprio mecanismo de produção de proteínas onde o RNA polimerase se liga ao DNA para formar o RNA mensageiro e, a partir dele, o ribossomo forma a proteína correspondente. Esse processo é dado o nome de transcrição. Programas de computador passam por um processo semelhante. Escrevemos um código fonte em arquivo texto, esse arquivo texto para o computador não tem sentido, então ele é transcrito para uma linguagem de máquina chamada assembly pelo compilador e transformado no produto final, ou seja, um conjunto de instruções que o computador é capaz de entender: o programa executável. É como se o DNA fosse o código fonte e o RNA polimerase fosse o compilador que transcreve o código do DNA em outras instruções que são a linguagem que o responsável por produzir o código final, o ribossomo, entenda para produzir a proteína correspondente e a proteína fosse em nós os programas executáveis como nos computadores.

Outra semelhança é o conceito de vírus. Vírus são programas de computador que infectam código de outros programas com seu próprio código para que sejam executados e espalhados a medida que programas infectados vão sendo executados. Os vírus em seres vivos também agem da mesma forma, invadem o código genético da célula e inserem o próprio código a fim de se replicarem escravisando o sistema de replicação celular.

Agora umas perguntas para finalizar o texto. De onde vieram os genes, esse conjunto de instruções que nos forma? O que fez com que se juntassem de uma maneira tão complexa a ponto de montarem seres complexos e com toda uma lógica bem definida de funcionamento, o acaso? Mas como poderia o acaso fazer uma junção tão bem definida? Ou seja, parece haver uma lógica no meio desse acaso. Tanto é que a humanidade criou um termo curioso, Leis da Natureza. E o que são elas no meu ponto de vista? São as coisas que fazem da natureza, de certa forma, previsível  e que, graças a essa previsibilidade, conseguimos fazer nossas criações funcionarem. Poderíamos então ser algum tipo de robô inteligente que foi sendo desenvolvido ao longo da história a partir de organismos mais simples? Como pode matérias inanimadas se juntarem e formarem vida? E, por último, será que um dia descobriremos, de fato, de onde viemos? Ou será que a humanidade com sua insessante busca por conhecimento e devido a ganância de uns, que fazem o mau uso do que sabem, será destruída antes mesmo de chegar à resposta?

Leandro Scott
Gerente de Sistemas - CEBio